sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
- ambíguo;
Com o tempo, as coisas mudam de foco.
(quinze dias viajando, quinze dias longe daqui.)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
- instável como o futuro;
Me lembro do desespero e do esforço para sair dele e continuar. Foi como abrir os olhos depois de muito tempo na escuridão e no exílio; cada coisa viva na minha percepção me fazia emocionar, como se fosse uma raridade do mundo. As lágrimas vinham, inconvenientes, ao menor gesto de carinho, ou gentileza; e à menor menção ao meu passado próximo e doloroso. Eu parecia ter acabado de nascer de novo, com toda a minha sensibilidade aguçada ao máximo.
Mas, como tudo sob o efeito do tempo, essa fase passou; e o que me dominou depois disso foi a insegurança. Era como se eu olhasse para os lados o tempo todo, para conferir que havia alguém ali, que eu não estava sozinha. Parecia que eu ia desabar e implorar para que ninguém me deixasse, ao menor sinal de distância do mundo.
Hoje, ao olhar para trás, tudo isso se define como uma coisa só, uma época em que eu deixei de conhecer a paz, estando em tormentas o tempo todo. Eu aprendi, depois de tanto tempo, a trazer a paz à força para perto de mim, superficialmente; não pensar, não me preocupar, deixar para lá, esquecer disso e se preocupar com o momento. O que me incomoda é viver adiando tudo, fugindo dos problemas até que eles se forcem sobre mim, acumulados, avassaladores. Mas é melhor desabar de vez em quando do que nunca se levantar.
E quando eu penso sobre tudo isso, fica a dúvida de em qual tempo eu fui melhor, mais corajosa, mais digna. Com certeza, não atualmente. E eu me pergunto se eu ainda posso ser melhor, se isso não acabaria com as minhas forças. Já desisti de esperar que algo mais íntegro venha de mim naturalmente; talvez eu tenha que forçar isso a acontecer, também. Por mais que eu tente não pensar, não decidir, o futuro mostra sua grandeza sobre mim, exigindo respostas. E, como todos os meus problemas, esse será adiado até que eu não possa mais suportar.
(pronto, chega de textos macabros de vez. eu vou encher o saco de todo mundo com textos sobre o futuro agora ok)
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
- carta: 01/02/2008;
Vocês não sentiram os socos, os tapas e o medo. Não sentiram o gosto do sangue na boca. Não viram uma pessoa se transformar em um monstro, seus olhos se esbugalharem de raiva, e não sentiram a dor do ferro nos ombros. Vocês não sabem da culpa que se sente quando alguém que você ama se machuca por sua causa. Vocês não foram seguidos por dois anos e escutaram ameaças. Vocês não vêem uma pessoa só em todos os vultos nas ruas.
Eu não esperava que vocês entendessem. Só achava que o fato de EU dizer que é verdade seria o bastante, por que essa é a única prova que eu tenho... Nunca dei motivo algum para que duvidassem de mim... E o que eu não entendo, é por que vocês esperam que eu saiba o motivo de tudo isso, e a explicação das coisas.
Eu só esperava que vocês acreditassem. É o mínimo e o máximo que podiam fazer por mim.
(merda.)
(resumo: vão se foder, seus amigos de merda.)
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
- como tudo deve ser;
Pare para pensar, e meça importâncias.
Seja sincero com você mesmo, ninguém precisa saber.
Diga pra si mesmo, as pessoas mais importantes; apenas para si mesmo.
Pense se você as trocaria por alguma coisa.
Principalmente, pense se valeria a pena.
Seja sincero! O que é mais importante, a sua vida social ou os seus amigos de verdade?
Você abriria mão de tudo por alguém?
O que é mais importante, a confiança dos seus pais ou a liberdade que existe sem ela?
A sua família, ou aquelas pessoas que apareceram agora na sua vida? A qual dos dois você dá mais atenção?
Seja sincero.
E prepare-se, para se surpreender com algumas respostas; para descobrir que elas estão erradas, que elas não seguem seus princípios de criança. E para não se importar nem um pouco com isso!
E prepare-se mais ainda; para perceber que não é assim só com você...
Que muitas pessoas te trocarão por simples prazeres momentâneos; que muitas te perderiam por uma simples conveniência. Separe, aquelas que você tem certeza que te dão importância; e aquelas que fazem um trato silencioso de fingir até que não seja mais necessário.
Isso, é pra você não se desesperar, quando essas pessoas sumirem da sua vida.
sábado, 27 de dezembro de 2008
- toc, toc, toc;
O vento frio subia a rua, desafiando a gravidade e me refrescando da temperatura quente do dia. Eu estava chegando em casa da padaria, um doce enorme debaixo do braço, e nada poderia me fazer menos feliz. O natal fora lindo e completo, e logo o ano novo ia começar; uma ótima notícia para quem ama novidades. Me lembro de estar ansiosa para chegar em casa, e de olhar para o céu e ver que o Sol começava a descer, dando a tudo um tom alaranjado.
Não é como nos filmes; nunca confie em Hollywood ou Steven Spielberg. Eu queria que algo pudesse mostrar tudo que se passa na cabeça de uma pessoa quando acontece algo do tipo. Quem sabe assim alguém entenderia.
Não há músicas de suspense, nem qualquer desconfiança; a pessoa não faz a mínima idéia do que vai acontecer. Pelo menos no meu caso, a rua não estava deserta, um casal vinha no sentido contrário, rindo e brincando de empurrar um ao outro. Me lembro de sorrir, associando a cena a uma de minhas melhores memórias. E, quando eu passei pela esquina, me lembro de olhar para o outro lado e vê-lo ali.
Nos filmes, o terror que se sente é muito menor do que esse. A surpresa é avassaladora, e o medo vem tão forte que você perde o equilíbrio. Não, ninguém entenderia.
Me lembro de chegar em casa aquela noite, meia hora depois, sem o mínimo apetite. Eu deixei o doce na cozinha e fui para o meu quarto. Felizmente não tinha ninguém em casa para me ouvir enquanto eu me desfazia no banheiro. Me lembro de ir até a janela, e de escorregar até o chão ao ver que ele ainda estava ali.
(ninguém pergunta sobre esse texto, ok?)
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
- tanto faz, tanto fez;
Eu percebi isso quando vim olhar aqui e vi que já fazem nove dias desde que eu postei; foi como um piscar de olhos. Me faltou inspiração, ultimamente. Acho que é por que eu tenho passado tanto tempo lendo que não me sobra tempo para escrever.
De qualquer forma, outra coisa na qual eu reparei quando pensei em como os dias passam rápido por essas férias, é que as horas parecem transcorrer muito mais lentamente quando ele está comigo. E que em todo o tempo que ele não está, eu faço tudo correr para vê-lo novamente.
Eu nunca fui muito boa em fazer tudo correr; o tempo sempre me desobedeceu, transformando cada minuto em uma hora quando eu estava ansiosa. Mas essa capacidade de ignorar o relógio me veio tão naturalmente que eu mal percebi; fazia tanto tempo que eu não sentia paz, nem por um minuto. Passei um longo momento pensando no que isso significava. E decidi que não precisava pensar, que realmente pouco importava o motivo ou as consequências; ele me trazia paz, apenas por sua presença contínua e carinhosa perto de mim. Tal fato já era suficiente para justificar um vício.
Vício. Palavra forte. Mas não há definição melhor para a necessidade constante que eu tenho de tê-lo em meus braços. Eu tento não pensar muito nisso, pois, por mais que eu me contrarie, esse sentimento me parece uma regressão. Vício parece algo muito grotesco e desumano quando se compara com o amor. E, por incrível que pareça, eu fui muito bem sucedida nesse negócio todo de não-pensar. Já faz muito tempo que as dúvidas antigas que me atormentavam se silenciaram com uma tranquilidade estranha e amarrada ao alívio: tanto faz.
Tanto faz que tanta coisa esteja errada na minha vida, tanto faz que eu precise resolver tantos problemas. Deixa isso para depois. Eu estou de férias, tenho um sol novo e lindo para me iluminar, e foda-se o mundo. Vou deixar uma única ansiedade me atormentar: a de tê-lo comigo novamente, aliviando minhas dores, saciando minha vontade de afeto. Pouco me importa que isso seja errado, seja usá-lo; ele sente tanto amor por mim como eu por ele. O fato de não precisar me preocupar é, de várias formas, estimulante.
Então, por mais que descobrir o quanto o tempo está passando rápido tenha me surpreendido, eu prefiro que seja assim. O futuro é uma das tantas coisas que me amedronta, e tudo que me dá medo precisa acabar rápido. Eu não quero que fique melhor do que isso, para que depois não fique pior. Deixa estar, deixa. Eu estou bem assim. E eu quero que isso continue, por mais que estar bem pareça algo muito grotesco e desumano quando se compara com estar feliz.
domingo, 14 de dezembro de 2008
- caminho;
Eu queria gritar para o mundo quanto amor eu tenho para oferecer. Queria que de alguma forma todos soubessem que ali, naquele corpo miúdo de criança, há amores que moveriam montanhas procurando, ávidos, por um encaixe. Em meus devaneios inocentes, eu crio o meu próprio mundo; longe de decepções e infestado de cores vívidas. No meu mundo, o amor seria colorido. No meu mundo, eu conseguiria ter certeza de que ele realmente existe; e saberia quando eu encontrasse alguém capaz de amar de verdade.
Por mais que sejam só devaneios, o alívio pela ausência da dúvida consegue ser real por um segundo.
Seria tudo mais fácil se o amor fosse algo tangível. Eu poderia abraçá-lo, envolvê-lo entre minhas mãos e plantá-lo como semente no meu jardim. E, quando ele não fosse mais necessário, eu o enterraria junto com o passado, em algum lugar onde ele jamais floresceria; não causaria dor, nem me faria imaginar coisas tão estúpidas sobre algo que eu não sei nem se existe de verdade.
Mas nem a tranquilidade dos meus sonhos me liberta da realidade; ela perfura minhas barreiras e inunda tudo como ferro líquido, pesada e prestes a se firmar de forma incorrigível. Meu mundo se mancha com histórias de pessoas que deram seu amor, agora física e possivelmente domável, e nunca mais o reaveram nem ganharam outro amor para substituir. Não importa com que forma eu o imagine, as pessoas nunca deixam de ser corruptíveis, e sempre têm uma forma de violá-lo.
Diante disso, minha única opção é abrir os olhos, deixar os sonhos para trás, e tentar pensar logicamente. Se o amor existir, seria ele uma entidade consciente? Me aterrorizo com a possibilidade; qual seria o interesse em causar tanta dor às pessoas? Não, reconheço minha natureza covarde ao me recusar a considerá-la. O interesse vêm do desinteresse, naturalmente. A dor resulta do abraço do amor e da indiferença. Então, como preveni-la?
Espero pacientemente meus pensamentos se livrarem do aperto forte da dor e das lembranças. Como eu poderia prever tudo isso, e, dessa forma, não precisar buscar por algum tipo de alívio? Se antes, eu soubesse como tudo acabaria, eu poderia simplesmente pular essa parte da minha vida e fingir que ela nunca teria existido? Ou eu viveria o extremo da felicidade novamente, interpretando sinais de que o fim estava próximo, esperando pacientemente a dor me envolver com seus abraços pungentes?
Tantas perguntas, nenhuma resposta. Entre a lógica e os sonhos, não vejo nenhum caminho viável. Tento uni-las, entrando em contradição. Tento não seguir nenhuma das duas, e o caminho que me resta é mais tortuoso do que qualquer outra coisa; eu não deixaria a dor me dominar novamente a ponto de se tornar algo separado, e constante. Então, suspiro. Hora de me levantar para um novo dia. Quem sabe amanhã, eu decidiria meu caminho.
(duas noites de insônia seguidas causam pensamentos demais, e pensamentos demais causam um texto desses.)
