Ah, pungiu me como ferro à pele o negro pulsante daqueles olhos sombrios. Três segundos se passaram e eu soube que me marcaria pra vida inteira como uma sábia cicatriz. Uma mão de aço envolveu minha mente e tudo girou. Fraquejei.
Ah, me dê mais três segundos e eu volto ao normal. Está tudo bem, eu consigo respirar. São apenas alguns devaneios antigos, sabe, vieram à tona, imagine, assim do nada! Eu posso me levantar, só me dê a sua mão, sim?
Ah, que cheiro doce. Sua camisa recém-lavada roçando em meu rosto, hum, não me coloque no chão ainda, eu quero respirar por aqui mais um pouco. Por trás de meus olhos fechados eu ainda podia vê-las; duas bolas negras brilhantes, pulsando, agora seguramente distantes de mim.
Ah, mas não vá para longe, não. Não por enquanto. Ainda posso sentir o arder da cicatriz, feroz como a descoberta; você irá para longe, mas não agora, por favor. Não pare de afagar meus cabelos, não pare de sussurrar preocupações inerentes ao meu ouvido. Não ainda.
Ah, era tudo que eu queria, mais um instante que fosse com seu sorriso caloroso e seus olhos amargos de fel. Obrigada por voltar nesse segundo. Está tudo bem, eu estou feliz agora, estamos juntos novamente. Você não sabe o quanto eu esperei para..
Ah, bom dia, um novo dia. Bom dia para o Sol que desce entre as persianas da minha janela e aquece meu rosto molhado pelas lágrimas. Bom dia para mais um dia infestado de pensamentos sobre mais um sonho que eu cansei de rejeitar.
Ah, se eu fechar os olhos agora, será que poderei sentir seu cheiro doce, ou ouvir sua voz? A mão de aço agora aperta minhas entranhas, instigando, mordendo; seus olhos ainda pulsam em meu peito, sua cicatriz ainda arde em minhas veias.
Ah, desisto. Me levanto da cama, forço a mão de aço a se redimir, ela voltará. Quase pude senti-lo dessa vez. Desisto.
domingo, 7 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
- o infinito entre duas escolhas;
O Sol brilhava forte no topo do céu. Ela contemplou o mar aberto à sua frente, sentindo-se parte daquele misto de verde e azul brincando pelo horizonte. Ser tão pequena e insignificante perto das milhares de vidas que se estendiam à sua volta trazia uma confortável sensação de anonimato. Colocou as mãos no rosto, respirando devagar; o calor já secara suas lágrimas. Depois de toda tempestade, vem a calmaria.
A tranquilidade era o momento que ela mais temia. Não que gostasse de se sentir desesperada; ela apenas odiava a falsa paz que sentia depois que as lágrimas secavam. Era o momento em que tudo parecia parar; o tempo, as águas, o vento; tudo estagnado numa harmonia irônica de acordo com os seus sentimentos. O silêncio pesava tão forte que ela mal podia ouvir a própria respiração; seu coração parecia bater preguiçosamente, no mesmo ritmo vagaroso que ela absorvia da paisagem. E, com o silêncio, os pensamentos fluíam; ela desistiu de tentar contê-los e entregou-se, voraz, em busca de conforto.
Um instante depois, arrependeu-se da falta de cautela.
Ao abrir sua mente para si mesma, as lembranças há tanto tempo guardadas cegaram seus olhos. Todos os momentos que ela forçara a permanecerem escondidos de seus sonhos e desejos reivindicaram seus devidos lugares; e, com eles, veio a saudade, imensa, avassaladora. O amor que sentia, somado à ausência que lutava para ignorar, ganhou força, inundando seu corpo como água fervendo, fazendo com que ela se encolhesse e arfasse. As lágrimas não vieram de novo, com suas promessas enganadoras de alívio. Devagar, sentindo os segundos como se fossem uma vida inteira, ela colocou cada sentimento maravilhoso e cruel num canto de seu coração que passava quase despercebido. E, cerrando os dentes, trancou-os de sua mente junto com todas as lembranças.
Percebeu que fechara os olhos involuntariamente. Voltou a olhar o mar, deixando que sua mente vagasse, mais controlada dessa vez.
Coração e mente. Duas entidades separadas.
Por toda a sua vida ela usara a razão para controlar o que sentia. Não deixava que seu coração fizesse o que bem entendesse de suas atitudes e intenções; reprimia-se cada vez que ele rumava para caminhos perigosos. Vigiava com os pensamentos, bem de perto, cada afeição ou desgosto que sentia; no intento de não fazer idiotices ou iludir-se por amor. Agora, o tempo em que mantinha esse controle parecia ter acontecido num outro século.
Reconheceu o amor verdadeiro assim que ele começou a nascer, alimentando-se de suas forças. Ele parecia tão bonito e sincero que não o reprimiu. Deixou que ele envolvesse seus sonhos, suas ações; mal percebeu quando ele abraçava sua mente, dominando-a; trazendo-a para perto de seu coração, unindo os dois como se nunca, nem por um segundo, eles tivessem vivido separados. O amor trouxe a esperança a tiracolo; a certeza de que nunca estaria sozinha a dominou, e foi em sua função que ela passou a escolher seu caminho. E, em todo esse processo, ela foi a mulher mais feliz do mundo.
Mal percebeu quando o tempo passava e sua felicidade se tornava sua própria armadilha. E, quando tentou se livrar do laço que unia seu coração e sua mente, não o encontrou; eles agora eram um só. E o amor que ela sentia impregnou-se em tudo que fazia, tudo que pensava; ela podia vê-lo em cada gesto; uma marca de afeição e dor. A esperança se fora, e a certeza mais importante de sua vida quebrou-se como vidro; cortando, sangrando por dentro. E, com o tempo, ela foi tomada pela dúvida.
Ao pensar em todos os momentos felizes que viveu, ela sentia a esperança tola confortá-la por alguns instantes. Então seu coração traiçoeiro guiava sua mente até o presente, e ela não podia acreditar que conseguiria sentir amor e ser feliz ao mesmo tempo.
Ali, à beira do infinito, ela pensou, por muito tempo, em qual parte de si deveria acreditar; passado ou presente, amor ou descrença. Mas, quando o Sol já se recolhia e as estrelas começavam a surgir, ela ainda não sabia aonde para onde olhar.
Levantou-se e caminhou em direção à rodovia. Ao chegar na estrada, uma nova palavra formou-se em sua mente: futuro.
(texto feito pra minha irmã, a Anna Banana que eu amo tanto. eu pensei muito no que escrever; mas eu não conseguiria fazer um texto pensando nela que não falasse de amor verdadeiro. então, que ela leia a sua própria história, e encare o final como uma dica da sua irmã mais velha: pra onde olhar.)
A tranquilidade era o momento que ela mais temia. Não que gostasse de se sentir desesperada; ela apenas odiava a falsa paz que sentia depois que as lágrimas secavam. Era o momento em que tudo parecia parar; o tempo, as águas, o vento; tudo estagnado numa harmonia irônica de acordo com os seus sentimentos. O silêncio pesava tão forte que ela mal podia ouvir a própria respiração; seu coração parecia bater preguiçosamente, no mesmo ritmo vagaroso que ela absorvia da paisagem. E, com o silêncio, os pensamentos fluíam; ela desistiu de tentar contê-los e entregou-se, voraz, em busca de conforto.
Um instante depois, arrependeu-se da falta de cautela.
Ao abrir sua mente para si mesma, as lembranças há tanto tempo guardadas cegaram seus olhos. Todos os momentos que ela forçara a permanecerem escondidos de seus sonhos e desejos reivindicaram seus devidos lugares; e, com eles, veio a saudade, imensa, avassaladora. O amor que sentia, somado à ausência que lutava para ignorar, ganhou força, inundando seu corpo como água fervendo, fazendo com que ela se encolhesse e arfasse. As lágrimas não vieram de novo, com suas promessas enganadoras de alívio. Devagar, sentindo os segundos como se fossem uma vida inteira, ela colocou cada sentimento maravilhoso e cruel num canto de seu coração que passava quase despercebido. E, cerrando os dentes, trancou-os de sua mente junto com todas as lembranças.
Percebeu que fechara os olhos involuntariamente. Voltou a olhar o mar, deixando que sua mente vagasse, mais controlada dessa vez.
Coração e mente. Duas entidades separadas.
Por toda a sua vida ela usara a razão para controlar o que sentia. Não deixava que seu coração fizesse o que bem entendesse de suas atitudes e intenções; reprimia-se cada vez que ele rumava para caminhos perigosos. Vigiava com os pensamentos, bem de perto, cada afeição ou desgosto que sentia; no intento de não fazer idiotices ou iludir-se por amor. Agora, o tempo em que mantinha esse controle parecia ter acontecido num outro século.
Reconheceu o amor verdadeiro assim que ele começou a nascer, alimentando-se de suas forças. Ele parecia tão bonito e sincero que não o reprimiu. Deixou que ele envolvesse seus sonhos, suas ações; mal percebeu quando ele abraçava sua mente, dominando-a; trazendo-a para perto de seu coração, unindo os dois como se nunca, nem por um segundo, eles tivessem vivido separados. O amor trouxe a esperança a tiracolo; a certeza de que nunca estaria sozinha a dominou, e foi em sua função que ela passou a escolher seu caminho. E, em todo esse processo, ela foi a mulher mais feliz do mundo.
Mal percebeu quando o tempo passava e sua felicidade se tornava sua própria armadilha. E, quando tentou se livrar do laço que unia seu coração e sua mente, não o encontrou; eles agora eram um só. E o amor que ela sentia impregnou-se em tudo que fazia, tudo que pensava; ela podia vê-lo em cada gesto; uma marca de afeição e dor. A esperança se fora, e a certeza mais importante de sua vida quebrou-se como vidro; cortando, sangrando por dentro. E, com o tempo, ela foi tomada pela dúvida.
Ao pensar em todos os momentos felizes que viveu, ela sentia a esperança tola confortá-la por alguns instantes. Então seu coração traiçoeiro guiava sua mente até o presente, e ela não podia acreditar que conseguiria sentir amor e ser feliz ao mesmo tempo.
Ali, à beira do infinito, ela pensou, por muito tempo, em qual parte de si deveria acreditar; passado ou presente, amor ou descrença. Mas, quando o Sol já se recolhia e as estrelas começavam a surgir, ela ainda não sabia aonde para onde olhar.
Levantou-se e caminhou em direção à rodovia. Ao chegar na estrada, uma nova palavra formou-se em sua mente: futuro.
(texto feito pra minha irmã, a Anna Banana que eu amo tanto. eu pensei muito no que escrever; mas eu não conseguiria fazer um texto pensando nela que não falasse de amor verdadeiro. então, que ela leia a sua própria história, e encare o final como uma dica da sua irmã mais velha: pra onde olhar.)
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
- sol de inverno;
A insônia me roubava mais algumas horas de tranquilidade. Eu não queria acordar pra esse dia.
Por trás dos olhos fechados, eu lutava contra as imagens que começavam a surgir na minha mente. De alguma forma, saber que tudo aquilo aconteceu há exatamente um ano atrás me obrigava a lembrar cada detalhe que eu tentava excluir da minha memória.
Eu vi, e quase pude sentir, o nosso primeiro beijo; exatamente há um ano atrás.
Me encolhi na cama. Há alguns meses eu choraria, e sentiria a dor me invadir, inevitável como sempre; mas o tempo passou e adormeceu as feridas mais fortes. Agora, a dor era como o frio; trazia consigo a mesma pele arrepiada, os mesmos abraços em volta de si, e o mesmo incômodo constante, porém suportável. Tremi. Era como se o gelo abraçasse meu corpo de dentro pra fora, como se a única forma de eu me aquecer de novo fossem aqueles braços em volta de mim.
Forcei meus pensamentos a irem embora. Eu precisaria de muita força de vontade pra sobreviver àquele dia.
Minha mente vagou por várias inutilidades até parar em um certo rosto. Quase sorri. Depois de tanto tempo em um inverno congelante, ele havia surgido em minha vida como um Sol no céu nublado. O meu Sol de inverno; daqueles que não aquecem completamente, mas trazem consigo um dourado fosco que anima o ambiente. Eu já havia me acostumado a ficar mergulhada no frio e no escuro, tanto que quase não reparava neles; o alívio que me inundou ao perceber sua ausência se tornou um vício. Automaticamente, ao visualizar aquele rosto em meio aos meus pensamentos, eu senti um calor confortável e relaxei os músculos. Me perguntei, pela milésima vez, o que eu sentia pelo meu Sol de inverno.
Abri meus olhos e olhei no relógio. Ainda era cedo.
Decidi me atormentar com essa pergunta sem resposta mais tarde. Concentrando-me, quase sem sucesso, em não me lembrar de todas as palavras e gestos que eu sentira há um ano atrás, fechei os olhos. Tentei me livrar da preocupação de que essa tática não funcionaria por muito tempo; ao longo daquele dia eu me encolheria periodicamente, procurando me aquecer; mas não consegui.
Então, deixando que o Sol aquecesse meu coração, me entreguei a sonhos mais seguros.
(esse texto eu escrevi sobre ontem, dia 3.)
Por trás dos olhos fechados, eu lutava contra as imagens que começavam a surgir na minha mente. De alguma forma, saber que tudo aquilo aconteceu há exatamente um ano atrás me obrigava a lembrar cada detalhe que eu tentava excluir da minha memória.
Eu vi, e quase pude sentir, o nosso primeiro beijo; exatamente há um ano atrás.
Me encolhi na cama. Há alguns meses eu choraria, e sentiria a dor me invadir, inevitável como sempre; mas o tempo passou e adormeceu as feridas mais fortes. Agora, a dor era como o frio; trazia consigo a mesma pele arrepiada, os mesmos abraços em volta de si, e o mesmo incômodo constante, porém suportável. Tremi. Era como se o gelo abraçasse meu corpo de dentro pra fora, como se a única forma de eu me aquecer de novo fossem aqueles braços em volta de mim.
Forcei meus pensamentos a irem embora. Eu precisaria de muita força de vontade pra sobreviver àquele dia.
Minha mente vagou por várias inutilidades até parar em um certo rosto. Quase sorri. Depois de tanto tempo em um inverno congelante, ele havia surgido em minha vida como um Sol no céu nublado. O meu Sol de inverno; daqueles que não aquecem completamente, mas trazem consigo um dourado fosco que anima o ambiente. Eu já havia me acostumado a ficar mergulhada no frio e no escuro, tanto que quase não reparava neles; o alívio que me inundou ao perceber sua ausência se tornou um vício. Automaticamente, ao visualizar aquele rosto em meio aos meus pensamentos, eu senti um calor confortável e relaxei os músculos. Me perguntei, pela milésima vez, o que eu sentia pelo meu Sol de inverno.
Abri meus olhos e olhei no relógio. Ainda era cedo.
Decidi me atormentar com essa pergunta sem resposta mais tarde. Concentrando-me, quase sem sucesso, em não me lembrar de todas as palavras e gestos que eu sentira há um ano atrás, fechei os olhos. Tentei me livrar da preocupação de que essa tática não funcionaria por muito tempo; ao longo daquele dia eu me encolheria periodicamente, procurando me aquecer; mas não consegui.
Então, deixando que o Sol aquecesse meu coração, me entreguei a sonhos mais seguros.
(esse texto eu escrevi sobre ontem, dia 3.)
domingo, 30 de novembro de 2008
- sem limites;
A cena era a seguinte: cinco amigas, um ônibus, uma puta paisagem, e uma viagem pra contar.
Eu era uma delas. Por um momento, me ergui acima das conversas, entrando num estupor agradável que me permitia reviver os momentos mágicos do final de semana. Encostei a cabeça no vidro da janela e pensei em cada riso, cada besteira, cada pequeno instante da viagem; deixei que minha mente divagasse.
O céu era daquele azul que só se vê em filmes, até uma faixa de nuvem; abaixo dela, era perceptível uma mancha de poluição ao longe; pra onde eu não queria voltar. A fumaça misturava-se com as nuvens de algodão, formando milhares de espirais, e eu poderia passar o resto da minha vida ali, só olhando, ouvindo ao fundo o som daquelas que me trazem mais felicidade do que qualquer outra coisa. Um pequeno sorriso involuntário brotou dos meus lábios.
Perto do horizonte, um avião se distinguiu da fumaça. Da janela, ele era menor do que uma mosca. Me surpreendi ao perceber que ali deviam estar mais pessoas do que no ônibus em que eu estava.. e me senti inundada pela grandeza do mundo. Parei pra pensar, e me toquei que há tanta coisa para decidir, tantas opiniões pra formar e histórias para ouvir; e me encolhi, por perceber a minúscula fração que eu sou do universo e a mudança menor ainda que aconteceria se eu deixasse de existir.
Assustada, fechei a cortina. E me virei para olhar o que eu tinha pela frente.
As quatro melhores amigas do mundo sorriram para mim. Do outro lado do ônibus, o sol começava a descer no horizonte. E senti que meu amor preencheria o mundo.
Eu era uma delas. Por um momento, me ergui acima das conversas, entrando num estupor agradável que me permitia reviver os momentos mágicos do final de semana. Encostei a cabeça no vidro da janela e pensei em cada riso, cada besteira, cada pequeno instante da viagem; deixei que minha mente divagasse.
O céu era daquele azul que só se vê em filmes, até uma faixa de nuvem; abaixo dela, era perceptível uma mancha de poluição ao longe; pra onde eu não queria voltar. A fumaça misturava-se com as nuvens de algodão, formando milhares de espirais, e eu poderia passar o resto da minha vida ali, só olhando, ouvindo ao fundo o som daquelas que me trazem mais felicidade do que qualquer outra coisa. Um pequeno sorriso involuntário brotou dos meus lábios.
Perto do horizonte, um avião se distinguiu da fumaça. Da janela, ele era menor do que uma mosca. Me surpreendi ao perceber que ali deviam estar mais pessoas do que no ônibus em que eu estava.. e me senti inundada pela grandeza do mundo. Parei pra pensar, e me toquei que há tanta coisa para decidir, tantas opiniões pra formar e histórias para ouvir; e me encolhi, por perceber a minúscula fração que eu sou do universo e a mudança menor ainda que aconteceria se eu deixasse de existir.
Assustada, fechei a cortina. E me virei para olhar o que eu tinha pela frente.
As quatro melhores amigas do mundo sorriram para mim. Do outro lado do ônibus, o sol começava a descer no horizonte. E senti que meu amor preencheria o mundo.
sábado, 22 de novembro de 2008
- uma pequena analogia;
O jovem moço deitou sob a relva e abraçou os joelhos. Deitado, ali mesmo, corria. Temia que a dor chegasse primeiro.
Fechou os olhos. Ignorou o frio da chuva e do vento, e começou a lembrar.
Voltou ao primeiro dia, àquela mão branca e fina que parecia leve o suficiente pra que o vento a levasse. Lembrou-se do quanto sonhou antes de poder finalmente roçar sua pele naquelas mãos de cristal. Quase pôde sentir o cheiro doce de seu cabelo, sempre preso ao coque de bailarina gracioso; percorreu os olhos sobre seu corpo de menina e de moça, os traços ínfimos que cansou de memorizar, a cada dia, a cada minuto que passava entorpecido pela sua existência quase tangível. A água em sua boca se confundiu com o gosto daqueles lábios finos e delicados; involuntariamente, estendeu as mãos, procurando, esperando.. manteve-se alheio ao barulho das gotas de água esparramando-se à sua volta, e ali, debaixo da chuva, sob o frio do vento, quase pôde ouvir a sua voz.
Não distraiu-se nem quando um trovão rugiu ao longe.
Correram por aí, no tempo que se seguia, histórias incertas sobre aquele moço, jovem moço, que dormira forçando seu coração a bater, e que ele assim estaria, por mais que desabasse o mundo.. Muitos foram vê-lo, contra várias doenças foi medicado, por muito tempo foi presenteado com visitas dos mais variados tipos de religião. Mas o tempo apagou as lembranças, hoje já esquecido, ele dorme, por mais que desabe o mundo.
Ele dorme e sonha, sorri e chora, e sussurra para si mesmo as notas da música que outrora ela dançava, com seus pés de moça e sorriso de criança. Há quem diga que ele espere, outros já desistiram de confabular. Mas há quem saiba que ele só teme a dor que sentirá ao acordar, e o futuro incerto que o espera ao desistir de evitá-la. Há quem saiba, que por mais que ele corra, um dia ele perderá a luta; quando seus pés não puderem mais aguentar. Cai a chuva, passa o vento.. E ele continua dormindo.
(Hoje eu percebi, o porque de tanta falta de inspiração; e eu percebi também que estava na minha cara o tempo todo.
Cada sentimento descrito por mim sempre procura a definição perfeita; como explicar completamente meu estado de espírito, mesmo que de forma indireta. Eu nunca consigo isso, mas eu sempre tenho uma pequena idéia daonde eu quero chegar.. do que eu preciso tirar de mim, pra que pare de me atormentar; ou da felicidade que eu desejo mostrar pro mundo. E, ultimamente, nenhuma palavra parecia ser completa e intensa o suficiente.
Por que eu não sabia, não entendia, o que me atormentava.. do que eu estava precisando, qual o alívio que eu buscava com tanta ansiedade. Eu já havia desistido. Até que eu baixei a canção de ninar que o Edward fez pra Bella (que vai tocar no filme), ouvi, e chorei. É uma composição só de piano, linda, mas que normalmente não faria as pessoas chorarem. E eu chorei..
E eu percebi que não eram as palavras que estavam tão incompletas.. era eu mesma.
Eu sou o maior exemplo que eu conheço de fraqueza, de dependência, e de medo. Eu já senti muita dor. E o medo de sentir isso de novo afasta de mim tudo que eu amo, todas as pessoas que me dão esperança; isso suga as minhas forças, me desidrata, por que eu dependo irremediavelmente dessas pessoas; da certeza e da incerteza que elas me dão ao mesmo tempo. Eu percebi, hoje, que eu estou procurando às cegas por algum pedaço de mim que eu deixei por aí. E que essa busca sem direção acaba com toda a alegria que eu consigo reunir, como água resvalando por entre os meus dedos..
Ah, da forma mais idiota possível, eu percebi que eu quero um amor com todas as minhas forças.. eu quero um abraço forte, que me proteja e me aqueça; eu quero um olhar que traduza devoção, compromisso; eu quero que isso dure até não poder mais, que seja real, não apenas nos meus sonhos. Eu não quero mais acabar com tudo e viver com migalhas por aí. Eu preciso de algo muito maior do que isso.
E agora, só me resta não deixar mais que esse aperto no estômago constante me atrapalhe quando eu for escrever.. por que eu sei, eu me conheço; amar não é mais tão fácil pra mim, e não é tão cedo que isso vai acontecer.
Essa é só uma explicação do por que de tanta ausência daqui. E tomara que eu volte a escrever, logo.)
Fechou os olhos. Ignorou o frio da chuva e do vento, e começou a lembrar.
Voltou ao primeiro dia, àquela mão branca e fina que parecia leve o suficiente pra que o vento a levasse. Lembrou-se do quanto sonhou antes de poder finalmente roçar sua pele naquelas mãos de cristal. Quase pôde sentir o cheiro doce de seu cabelo, sempre preso ao coque de bailarina gracioso; percorreu os olhos sobre seu corpo de menina e de moça, os traços ínfimos que cansou de memorizar, a cada dia, a cada minuto que passava entorpecido pela sua existência quase tangível. A água em sua boca se confundiu com o gosto daqueles lábios finos e delicados; involuntariamente, estendeu as mãos, procurando, esperando.. manteve-se alheio ao barulho das gotas de água esparramando-se à sua volta, e ali, debaixo da chuva, sob o frio do vento, quase pôde ouvir a sua voz.
Não distraiu-se nem quando um trovão rugiu ao longe.
Correram por aí, no tempo que se seguia, histórias incertas sobre aquele moço, jovem moço, que dormira forçando seu coração a bater, e que ele assim estaria, por mais que desabasse o mundo.. Muitos foram vê-lo, contra várias doenças foi medicado, por muito tempo foi presenteado com visitas dos mais variados tipos de religião. Mas o tempo apagou as lembranças, hoje já esquecido, ele dorme, por mais que desabe o mundo.
Ele dorme e sonha, sorri e chora, e sussurra para si mesmo as notas da música que outrora ela dançava, com seus pés de moça e sorriso de criança. Há quem diga que ele espere, outros já desistiram de confabular. Mas há quem saiba que ele só teme a dor que sentirá ao acordar, e o futuro incerto que o espera ao desistir de evitá-la. Há quem saiba, que por mais que ele corra, um dia ele perderá a luta; quando seus pés não puderem mais aguentar. Cai a chuva, passa o vento.. E ele continua dormindo.
(Hoje eu percebi, o porque de tanta falta de inspiração; e eu percebi também que estava na minha cara o tempo todo.
Cada sentimento descrito por mim sempre procura a definição perfeita; como explicar completamente meu estado de espírito, mesmo que de forma indireta. Eu nunca consigo isso, mas eu sempre tenho uma pequena idéia daonde eu quero chegar.. do que eu preciso tirar de mim, pra que pare de me atormentar; ou da felicidade que eu desejo mostrar pro mundo. E, ultimamente, nenhuma palavra parecia ser completa e intensa o suficiente.
Por que eu não sabia, não entendia, o que me atormentava.. do que eu estava precisando, qual o alívio que eu buscava com tanta ansiedade. Eu já havia desistido. Até que eu baixei a canção de ninar que o Edward fez pra Bella (que vai tocar no filme), ouvi, e chorei. É uma composição só de piano, linda, mas que normalmente não faria as pessoas chorarem. E eu chorei..
E eu percebi que não eram as palavras que estavam tão incompletas.. era eu mesma.
Eu sou o maior exemplo que eu conheço de fraqueza, de dependência, e de medo. Eu já senti muita dor. E o medo de sentir isso de novo afasta de mim tudo que eu amo, todas as pessoas que me dão esperança; isso suga as minhas forças, me desidrata, por que eu dependo irremediavelmente dessas pessoas; da certeza e da incerteza que elas me dão ao mesmo tempo. Eu percebi, hoje, que eu estou procurando às cegas por algum pedaço de mim que eu deixei por aí. E que essa busca sem direção acaba com toda a alegria que eu consigo reunir, como água resvalando por entre os meus dedos..
Ah, da forma mais idiota possível, eu percebi que eu quero um amor com todas as minhas forças.. eu quero um abraço forte, que me proteja e me aqueça; eu quero um olhar que traduza devoção, compromisso; eu quero que isso dure até não poder mais, que seja real, não apenas nos meus sonhos. Eu não quero mais acabar com tudo e viver com migalhas por aí. Eu preciso de algo muito maior do que isso.
E agora, só me resta não deixar mais que esse aperto no estômago constante me atrapalhe quando eu for escrever.. por que eu sei, eu me conheço; amar não é mais tão fácil pra mim, e não é tão cedo que isso vai acontecer.
Essa é só uma explicação do por que de tanta ausência daqui. E tomara que eu volte a escrever, logo.)
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
- péssimo novembro;
Eu queria voltar a escrever.
Não sei que porra me fez parar de escrever. Tá, eu fui escrever um depoimento de aniversário pra uma amiga minha e.. não saiu. UM DEPOIMENTO. Agora me explica como é que tanta inspiração some do nada, e como todos os seus textos de repente viram um lixo..
Eu tenho dezesseis arquivos enormes do word cheios de textos (a maioria eu não mostro pra ninguém), sem contar os blocos de notas e os perdidos por aí. E então, do nada, toda a capacidade que eu tinha de me esvair em palavras some, e eu fico desesperada de tanta sensação martelando na minha cabeça pedindo pra sair. Que merda. Isso devia ter uma fórmula, sabe?
Esse incômodo não sai da minha cabeça, o dia todo. Eu fui mal na prova de redação (isso era inédito até essa última prova..), acabei com todas as minhas idéias, e não consigo fazer uma porra de post decente sobre não conseguir escrever. Eu achei que era por que eu não lia faz tempo, então eu engoli toda a série do Crepúsculo em menos de uma semana e esperei a inspiração vir. Eu andei na rua sozinha uma tarde quase inteira e fiz capuccino numa caneca vermelha linda que eu tenho e que me dá idéias. E nada funciona!
Eu vou enlouquecer em poucos dias; tô em processo, contagem regressiva, há!
Alguém aí que entenda de mentes estranhas explodindo de tanta informação, que tal me dar uma ajudinha?
Não sei que porra me fez parar de escrever. Tá, eu fui escrever um depoimento de aniversário pra uma amiga minha e.. não saiu. UM DEPOIMENTO. Agora me explica como é que tanta inspiração some do nada, e como todos os seus textos de repente viram um lixo..
Eu tenho dezesseis arquivos enormes do word cheios de textos (a maioria eu não mostro pra ninguém), sem contar os blocos de notas e os perdidos por aí. E então, do nada, toda a capacidade que eu tinha de me esvair em palavras some, e eu fico desesperada de tanta sensação martelando na minha cabeça pedindo pra sair. Que merda. Isso devia ter uma fórmula, sabe?
Esse incômodo não sai da minha cabeça, o dia todo. Eu fui mal na prova de redação (isso era inédito até essa última prova..), acabei com todas as minhas idéias, e não consigo fazer uma porra de post decente sobre não conseguir escrever. Eu achei que era por que eu não lia faz tempo, então eu engoli toda a série do Crepúsculo em menos de uma semana e esperei a inspiração vir. Eu andei na rua sozinha uma tarde quase inteira e fiz capuccino numa caneca vermelha linda que eu tenho e que me dá idéias. E nada funciona!
Eu vou enlouquecer em poucos dias; tô em processo, contagem regressiva, há!
Alguém aí que entenda de mentes estranhas explodindo de tanta informação, que tal me dar uma ajudinha?
domingo, 9 de novembro de 2008
- aos seus pés;
Chorei ao me deparar com o amor
E o ar se rendeu à minha falta de fôlego
Por carecer te deixar, foi a dor
E a lembrança de seu desejo trôpego
E o beijo cativou meu devaneio
Desandei, e aos seus pés virei criança
A inocência se mostrou como um espelho
E o pudor que a perfídia sempre alcança
Mas não por mim o seu olho brilhou
E não a mim foi destinado o seu apego
Enquanto o anseio ardente atenuou
A vã espera me revolvia ao gelo
Em um sonho feito pelos meus desejos
Eu te levarei ao inferno
E o fogo será a nossa única testemunha
Não haverá perdão aos nossos erros
Seguiremos um rumo incerto
Que em nós livremente se expunha
(eu não consigo mais escrever, então eu coloco um texto mais velhinho aqui. eu gosto desse poema por causa desse negócio de vou te levar ao inferno, muahaha. mas, por favor, alguém me ensina a trazer a inspiração de volta?)
E o ar se rendeu à minha falta de fôlego
Por carecer te deixar, foi a dor
E a lembrança de seu desejo trôpego
E o beijo cativou meu devaneio
Desandei, e aos seus pés virei criança
A inocência se mostrou como um espelho
E o pudor que a perfídia sempre alcança
Mas não por mim o seu olho brilhou
E não a mim foi destinado o seu apego
Enquanto o anseio ardente atenuou
A vã espera me revolvia ao gelo
Em um sonho feito pelos meus desejos
Eu te levarei ao inferno
E o fogo será a nossa única testemunha
Não haverá perdão aos nossos erros
Seguiremos um rumo incerto
Que em nós livremente se expunha
(eu não consigo mais escrever, então eu coloco um texto mais velhinho aqui. eu gosto desse poema por causa desse negócio de vou te levar ao inferno, muahaha. mas, por favor, alguém me ensina a trazer a inspiração de volta?)
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